sábado, 25 de outubro de 2014

Diga-se de Passagem...

Olha, a vida às vezes tira o dia para ser vigarista, eu que o diga. Eu posso estar bem enganada, mas de acordo com minhas pesquisas, a dita cuja têm sido bem "sacana" comigo.
 Tenho sido rodeada de tanta coisa chata que eu nem sei por onde começar. Eu sei que há uma luz por trás de toda a escuridão. Eu sei que há caminhos que não se deve nem cogitar seguir e, também sei que minha imaginação não têm me ajudado em nada. Diga-se de passagem: a vida é uma droga quando não se têm nada para fazer, ou melhor, quando se têm TUDO para fazer mas essas coisas não estão conseguindo ser processadas em sua mente no momento, porque a mesma decidira processar algumas verdadeira porcarias "desnecessárias"(dependendo do ângulo visual) no momento...
 Eu vim aqui reclamar da vida mesmo, e eu sei que sou péssima nisso (também). É madrugada, e daqui a pouco conseguirei ver o nascer matinal. Isso não me orgulha nem um pouco, pois sei que não me ajudará em nada.
 Para ser sincera, já tentei focar em muitos pontos de vista para que as coisas se tornassem mais "belas", mas, diga-se de passagem: isso foi ridículo e nem preciso cogitar o fato de que não dera nada certo. Sou pessimista, mas até consigo ver uma certa positividade ao raiar matinal, tipo: "menos um dia de vida, OBA"(sarcasmo e humor ridiculamente batidos à parte).
 Eu passei aqui para escrever rapidamente sobre como têm sido chato viver a minha vida. Eu só passei pra dar um aviso bem passageiro de que qualquer dia desses "vida", se você quiser, é claro, poderia dar uma maneirada nas desgraças alheias... Poderia dar uma maneirada nas faltas e esquecer um pouquinho (só um pouquinho) que eu existo, porque só assim eu acho que vou conseguir "viver"(isso foi o cúmulo, pedir à vida que me esqueça para que eu possa viver... olha que eu nem bebo).
 Assim, só um pedido. Um pequeno pedido, porque diga-se de passagem: pelo menos isso eu acho que posso fazer... ACHO...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Pétalas.

Eu sou uma pétala esfacelada em algum canto. Eu sei que estou por aí, em qualquer lugar onde haja dor. Se você me encontrar, avise alguém que eu já estou meio cansada. Se você me encontrar, faça melhor, não chame ninguém e me deixe pensar em alguma coisa que conserve algo de bom no meu peito, ou que traga. Tanto faz.
 É bem difícil me encontrar no meio dessa multidão. Na verdade, pétalas são coisas tão imperceptíveis quando não estão ligadas à uma flor, que eu nem lhe julgaria caso não notasse minha presença rotineira em sociedade. Na verdade, não lhe julgaria nem mesmo se me visse e não fizesse questão alguma de segurar-me em suas mãos e por entre seus dedos, acariciar-me... Em maioria, só crianças pequenas em média de 7 anos se encantam com uma pétala vagante, como eu.
 Estou perdida por aí e, às vezes (quase sempre), o vento têm mania de me levar para qualquer lugar. Eu sigo o fluxo por não ter opção. Eu só tenho medo. Estou atirada em um chão sujo, esperando que alguém me tire daqui. Esperando que alguém me ame fora de estação. Fora de primavera ou de estampas pitorescas retratadas da mesma. Esperando alguém que me ame de algum jeito mais profundo.
 Eu sou só mais uma pétala que se perdeu de seus ramos. Sou só mais uma pétala rebelde que desfez uma flor... Uma pétala "bem-me-quer-mal-me-quer", talvez.
 Sou só mais uma, dentre uma multidão.

     [...] Espero que você me encontre.


terça-feira, 22 de julho de 2014

The Truth - Richard Guy ( parte 1)

Ninguém mandou ter um coração de pedra. Ninguém mandou dizer que seria tão fácil assim, agora aceite e agüente o tranco. 
 Um personagem tão desobediente quanto eu, deveria receber punição dupla. Um simples figurante de livros ilusórios tão insignificante quanto eu, deveria sofrer de depressão profunda. Sortudo eu fui, sabendo assim que não tenho problemas em ambas as coisas. Sortudo eu fui, quando soube que tudo o que eu pensei sobre mim sempre foi mentira.
 Você sempre pensa que é um máximo e que pode conseguir ser melhor se quiser. Você sempre acha que é capaz e que na realidade o ser humano pode com tudo. Com todos. Somos os melhores. Podemos alcançar todos os nossos objetivos. Somos verdadeiros e odiamos a falsidade. Somos ótimos e autossuficientes. Isso é uma mentira tão deslavada quanto aquela de quando não fazemos o dever de casa no primário e dizemos que o cachorro comeu o tema, só esquecemos o fato de que sequer temos um cão para comê-lo. Mas ok. 
 Se você quiser, não precisa levar em conta tudo isso. Esqueça, caso ache irrelevante.
 Eu só queria dizer que, não, você não é tudo isso. Nós não somos capazes e nem suficientes para coisa alguma. Somos somente humanos, que precisam de ajuda para praticamente tudo. Não vamos alcançar todos os nossos objetivos, e não, eu não estou amaldiçoando ninguém e nem sendo negativo. Estou sendo realista. Não me venha com essa de "pense positivo que tudo dá certo" - Isso é uma mentira daquelas. Não temos força na mente. Não temos nada. Somos .
 Discorde de mim, eu não ligo, já disse que sou desobediente e jamais direi exatamente o que queres ouvir.
 Você consegue se salvar, caso esteja à beira da morte? Mas eu digo sozinho mesmo. Sozinho, sem nada e nem ninguém. Vamos lá, não minta, você sabe que não.
 Nós, personagens fictícios, normalmente servimos para isso. Para confrontar você e seu ego do tamanho do infinito. Para fazer você parar de ser bobo e pensar que no fim tudo vai dar certo. 
 Aprenda uma coisa: as coisas só vão dar certo, quando fizermos as coisas certas. Traçar o certo pelo errado no caminho do coração é só mais uma frase idiota e sem sentido que pessoas usam para se acharem mais filosóficas, "étnicas" e intelectuais. Mas na verdade só demonstra sua burrice interior. 
  Um dia você vai se apaixonar pela minha sinceridade, e por mim também... Só ouça o meu conselho: você não é nada. Você não pode nada e nem consegue nada se não houver algo ou alguém por trás de tudo. 

domingo, 1 de junho de 2014

Desabafos de uma Insatisfeita (parte 3).

Eu só precisava que uma trovoada explodisse meus ouvidos. Eu só precisava que o céu mudasse de cor e então meus dias talvez fossem "melhores", depois é claro. 
 Te ter por perto me trouxe uma felicidade tão tranquila e cheia de paz. Te ter junto de mim me fez tão bem que eu acho que até me fiz refém. Refém do teu amor. Egoísta, talvez. Malabarista era eu, juntando os cacos do meu coração e tentando segurar todos de uma vez.
 Eu cansei desse amor tão solitário. Amor que conta pontos e que dá medo da dor de perder. Eu te perco hoje e amanhã, talvez a vida toda. Eu sei que nada vai ser tão bom assim a partir daqui. Eu sei que te amo e isso não muda nunca. Insatisfeita malabarista sou eu, cheia dos medos, cheia das angústias, mas despedaçando o coração sempre que pode. Chorando pela falta de zelo enquanto cuidava de você. Você que me deixou. Você que esqueceu desse nosso amor, que nada podia. Desse nosso amor que tudo devia. Você que deixou tudo escapar até nos tornarmos desconhecidos. Você que deixou essa nossa vibração tão boa por nada.
 Nós somos cúmplices desse amor desapegado, desse amor desenfreado.
 ... Dessa nossa insatisfação...

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Fim de Primavera

As cores chegaram ao fim e o céu enevoou-se. Eu tenho medo e sonho com dias melhores.
 Acabou a primavera e com ela se foram os amores. Acabou a primavera e com ela se foram os sorrisos de flores. A redoma de cor que me protegia se findou e só me sobrou a dor. Dor que assombra o peito e assusta. Assusta o coração que bate acelerado, quase saindo pela boca. Pelo céu.
 Se você já têm medo, imagine eu. Se você já sofre essa leitura pesada, imagine meus dedos que digitam. Imagine meus olhos que lacrimejam.
 Dias sofridos têm sido esses meus. Dias doloridos têm sido os desse inverno que não passa nunca.
 Eu sofro não pelo frio que ouriça os pelos da nuca, mas sim pelo frio que traz o desespero de perder. Estou em disputa entre o orgulho e a humilhação. Estou em embate e acredito que vou perder. Há olhos negros que me atormentam. Olhos negros cintilantes que pairam sobre minha mente e não me deixam descansar. Eu amo esses olhos negros. Eu amo tanto que nem sei. Eu nem sei que amo tanto. Esse fim de estação me machucou. O último trem passou e eu fingi não ver para não sofrer mais. A ultima gota caiu e eu não sequei, só para ter na memória como dói amar. Pra eu lembrar qualquer dia desses, em qualquer avenida dessas, que amar é dor que não se priva. Amar é dor que não se escolhe, mas que perdoa. Que aceita e dá a mão para levantar. Amor são esses olhos negros...
 íris feito o véu que assola a noite... Íris do meu amor de primavera.
  Peço que me desculpe por ladrilhar sua leitura com minhas dores de menina, mas é isso que sou. É isso que pretendo ser pelo resto da vida. Menina... Só menina. Talvez virada do avesso; mas menina.

 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Calças Prediletas.

 Eu tenho uma calça preferida e não me envergonho. Eu tenho meus dias prediletos e não abro mão deles.
 Minha calça preferida já fora enviada para o conserto mais de três vezes, e com certeza enviarei quantas vezes puder. Eu amo minhas coisas velhas. Confortáveis. Eu amo as coisas que já conheço e não gosto muito de mudanças bruscas.
 A minha roupa preferida é a que eu uso sempre, portanto, tenho várias da mesma. Você acreditando ou não, eu tenho várias iguais em modelo cor e tamanho. Não sou de mudar, como já disse.
  Eu estou acostumada comigo desta forma, e quem são as pessoas para falar algo a meu respeito? Quem são elas para palpitar no que eu devo ou não usar? No que eu devo sentir, falar, fazer, viver?
 Não adianta vir me dizer que estou na pior, pois se eu estiver eu nem ligo. Se eu estiver, eu vou é curtir bem e botar o pé na jaca de vez. Se eu estiver, eu sei que faz parte, essa é a arte da vida... Cair e se recompor.
 Eu gosto de estudar, mas nem por isso passo em todas as provas. Eu gosto de ler, mas nem por isso preciso ter e saber de tudo de forma milimétrica.
 Eu sou banal. Eu sou modinha. Sou poser. Sou o que quiserem que seja, mesmo que eu não seja. Eu sou aquilo que eu visto, aquilo que eu como, faço e discirno. Aquilo que me faz entreter, aquilo que me faz... Ser.
 Eu. Minhas calças prediletas.
Acho que é só.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cansei.

Eu cansei de chorar. Cansei de me deixar cair no paralelepípedo da dor. Cansei de ser bêbado equilibrista e carregar dois corações.
 Talvez seja errado virar palha no fogo, mas eu também sou chuva que apaga. Chuva que evapora. Água. Água que mata... a sede.
 Você vem dizer que sabe o melhor para mim. Você vem dizer que sabe discernir o certo do errado, mas abre a porta. Você abre a maldita porta que deixa a lascívia entrar. O fogo. A dor que me assusta e que não quero mais sentir. O pior de tudo é que eu sei que o amor está na varanda. Ele está prestes a se atirar do penhasco que rege seu coração. O nosso coração. E eu sei que você não será forte o bastante para recomeçar esta jornada. Eu sei que preciso me juntar à ele. Ao coração. Eu sei que preciso ser forte e suportar até o fim, mas não sei se consigo lhe alcançar.
 Orgulho é seu sobrenome.
 Eu tento puxar sua mão, mas você se torna relutante e não me deixa levar-te para a varanda que nos liberta. Varanda tão próxima que nos chama... que nos ama.
  Há algo nos seus olhos. O fogo está lhe contaminando. Preciso fugir. Preciso criar coragem para lhe salvar. Nos salvar.
 Você pode sentir meu coração? Você pode sentir meus átrios impulsionando sangue a cada segundo?
 Estou sem esperança, me ajude. Salve minha alma dolorida de tanto se perder em si mesma. Porventura há algum jeito para mim?
 Olhos semicerrados. Olhos que fecham cara vez mais, tirando-me a esperança de amar outra vez. Cada vez que lembro dos nossos corações, eu sei que tentei de tudo. Eu sei que corri para os braços de uma varanda na penumbra. Aquela varanda que nos chamava daquela vez. Eu sei que te perdi na dor, mas como já disse, eu cansei...
 Cansei te carregar da perdição para a penumbra que vem pelo amor...

 Cansei... Só cansei.

Insolúvel Coração.

Dê-me um pouco da sua compreensão. Dê-me um pouco do seu pé no chão e da sua marcha a ré.
 Agora é hora de parar e ser honesto consigo mesmo e aceitar de uma vez por todas que é impossível ser duas pessoas ao mesmo tempo. Uma compromete a outra em plenitude e totalidade.
 Podemos aceitar essa realidade? Podemos ser passivos e compreender a nossa falta de capacidade generalizada? Tenho pensado muito em como encontrar uma forma de ajeitar toda essa tranqueira. Recomeçar.
 Recomeçar do avesso. Do começo. Recomeçar do fim.
Dê-me um tempo para esfriar essa cabeça que já cansou de pensar e pensar. Essa cabeça que explode de tanto procurar a formula certa para a resolução de um problema que até então, atormenta a maré.
 A mente não trabalha. O carro entrara em ponto morto e não vai vai ressuscitar tão cedo. É como uma frase: "o homem é uma contradição insolúvel".
 Sou insolúvel. Sou ponto morto. Sou a morte do bezerro. Sou o medo que trava e a dor que contém.
 Eu não tenho medo da lascívia em si, mas sim de cometê-la. Não tenho medo do pecado em si, mas sim de deixá-lo entrar pela porta da alma.
 Eu não tenho medo do recomeço, mas sim do que ele pode me trazer.

domingo, 23 de março de 2014

Desabafos de uma Insatisfeita (Parte 2)

Eu precisaria de um mundo inteiro se fosse necessário expressar todos os momentos que já vivi com ondas quebrando. Ondas que quebram pela aquarela secular. Ondas que quebram com a rotina que polui tudo o que quer nascer ou renascer. 
 Uma oportunidade de virar o céu do avesso é se concentrar nas possibilidades. Se concentrar nos impossíveis, que são tão possíveis quanto nós não imaginamos. 
 Eu sei que o papel de uma garota insatisfeita não é dar possibilidades e nem muito menos encorajar alguém com conselhos de auto-ajuda. Eu aceito o meu legado e não penso muito em como resolver essas coisas, pois querendo ou não, levo vida de poetisa e aprecio a dor de amor. Eu sei que não há maior romantismo que suportar a dor pelo simples fato de não se imaginar sem a ter.  Eu sei que isso não deveria dar orgulho para ninguém, só que eu sei que isso é somente um clichê. Um clichê tão ridículo quanto qualquer outro. Um desnecessário tão grande quanto o fato de escrever sobre o delírio de amar. Sim, escrever sobre o amor é desnecessário. Eu admito que perco tempo. Eu admito que perco a hora e o minuto, o milésimo e o segundo, quando resolvo amar na conjugação textual. O poeta perde amor. Perde o tempo de sofrer, porque o sofrimento fica naquele papel riscado. Papel que dói na cor. Papel que dói no sabor das letras que são digeridas no ritual sagrado que é a leitura. Papel que chora as cicatrizes conjugadas em linhas tortas que expressam tormenta. 
 Eu sou insatisfeita e desabafo como quiser. Eu estilhaço meus pedaços e quebro meus cacos.  Eu grito minhas injurias, e peço por minhas angústias. Eu sonho meus pesadelos e vivo na tentativa de conjugar meus verbos. Eu testo a gravidade. Eu testo a tolerância. 
 Decidi simplesmente aceitar meu distintivo de insatisfação. Eu decidi aceitar meu legado de menina poetisa. 
  Menina... só menina.
(Victória Elsner)

Deliberação do Bem-Estar.

Estive pensando bastante durante esses dias em como as pessoas são felizes. Até eu me surpreendo com a minha felicidade descarada. Um bem-estar fora do comum.  Estive pensando que nunca pude presenciar de tanto bem-estar em toda a minha vida, pois todos os dias me deparo com aquela simples resposta que sai de minha boca sem que nem eu mesma pense: “Estou bem.” – eu nem paro para analisar se estou mesmo. Será que isso é sinal de que meu nível de felicidade está tão alto que minha fala responde por mim sem eu nem mesmo precisar focar o meu contexto e conjugar o tempo?  Será que eu estou tão bem ao ponto de ter uma fala automática?
  Estar bem, hoje em dia, é desculpa para não prolongar assunto. É desculpa para evitar perguntas que a gente não quer responder para não se desiludir daquele sonho encantado que criamos na nossa cabeça, saindo assim da redoma de vidro que usamos para nos proteger da realidade que é ser infeliz. Se você se encontra com alguém na rua, cumprimentará perguntando se está tudo bem. O que você espera que ela diga? “Estou bem.”
  Somos mentirosos de cara lavada. Plantamos um sorriso no rosto quando as lágrimas querem cair. Plantamos lágrimas na face quando o sorriso quer contagiar. Estar triste hoje em dia é crime. Estar num dia ruim é inaceitável pela sociedade, portanto, nos obrigamos a estar bem. Precisamos estar bem. É o novo dever de um bom cidadão.
 Nós complicamos a vida e achamos que assim é que fica mais fácil. Deixamos os problemas para resolver mais tarde, pensando que assim estaremos nos livrando daquilo para sempre. Achamos que o problema vai cansar de esperar e vai desistir da gente.  Dizemos que estamos felizes quando na realidade o que mais queremos é estar felizes de verdade... Só que pra ficar feliz de verdade, é necessário resolver as pendências que deixamos de lado, esperando que elas se resolvam por si só. É necessário parar de mentir e aceitar a tristeza que muitas vezes invade o peito. Afinal, qual é o problema de ficar triste? Qual é o problema de não estar com “tudo em cima”?  Não banalize aquilo que deve ser tão sincero quanto nossos olhos ao chorarem pela perda inesperada.  Não banalize a felicidade, pois quando você estiver bem de verdade, verá como é bom dizer essas palavras com sinceridade no olhar e com a certeza de que estar triste também faz parte da vida, mas que o bem-estar é a recompensa pela tristeza assumida e da dor bem vivida.


O Fim do Improviso.



Dias perfeitos talvez não sejam tão perfeitos assim. Dias perfeitos são sem graça. São dias em que tudo transcorre tão normal que chega a dar medo. Monotonia sem limites poderia ser o sobrenome da perfeição. Se em todos os dias seguíssemos fielmente tudo o que nos é passado, sem nada sair do controle ou dar errado de algum modo, poderíamos muito bem ser chamados de robôs. Se sempre estivéssemos prontos para tudo, não saberíamos como é o frio na barriga de não estar preparado. O tremor de não saber. O gaguejo no falar de quem teme estragar tudo com míseras locuções verbais. 
 Se formos analisar bem, os momentos dos quais mais nos recordamos ao longo da vida são aqueles de que tudo ocorreu de forma errônea e fora do previsto. Não somente os dias em que o céu se fecha e andamos com uma nuvem exclusiva que chove sobre nossas cabeças, são os que nos lembraremos. Mas também daqueles que alguém passou por uma situação vergonhosa. Algo engraçado do qual ficará marcado em nossa memória, mas que de qualquer forma, não estava dentro dos planejamentos do percurso, portanto, torna-se algo fora daquela linha reta da perfeição. Você planeja gaguejar em público, ou ficar nervoso a ponto disso? Creio que não. Mas com certeza, depois de algum tempo, isso será engraçado para as pessoas que presenciaram ou lhe ouviram contar, ou até mesmo para você. 
 Por que insistimos tanto em querer dias tão perfeitos, se quando eles realmente acontecem são tediosos e sem emoção? Se conseguíssemos conciliar a satisfação com a nossa imperfeição generalizada, posso garantir que estaríamos plenos e sem a necessidade de tanta monotonia, que no caso, equivale à perfeição.
 Se nos tornássemos perfeitos, como a maioria quer, não existiriam mais emoções ou sentimentos, pois eles são rumores. Altos e baixos que nunca param de exercitar a mente. A perfeição é uma linha reta onde não podem existir traços mais para cima e nem para baixo. 
   A perfeição é o fim do improviso que tanto nos aproveitamos em muitas situações. A perfeição é a depreciação da inovação e o apreço pela mesmice dos dia iguais e nada irreverentes. 

 Seja irreverente, não perfeito. Aprecie a inovação que é improvisar quando necessário, afinal, é bom ter uma história para contar. 

Recado de um Infeliz.

Eu não quero que você volte nunca mais. Eu não quero mais te ver. Não quero mais saber de você e nem mesmo ter notícias de sua vida. Se você quiser ser feliz, eu não quero nem o seu telefone, que eu já apaguei da agenda desse celular que não para nunca de tocar. A alegria me liga de dez em dez segundos, mas eu recuso-me a atender essa chamada. Recuso essa passagem. Uma passagem que até tem volta, mas que eu sei que jamais iria querer voltar atrás.
 Você precisa entender que essa escolha não depende só de mim. Depende dos meus problemas também. Depende dessa minha vida que não me dá nenhuma trégua e eu já preciso dormir, sonhando com um dia onde minhas dificuldades vão me dar um trinque de respiração e me deixar superar. Superar esse sopro no coração e me dar a oportunidade de ser feliz e livre novamente. E é por isso que eu não quero mais te ver se você tomar essa decisão de ser feliz. Se quiseres ser livre, não poderá ser comigo, pois minha vida não me permite. A dor que escraviza meu eu não me deixa tomar essa decisão e, eu sei que tudo isso é culpa minha.  Por favor, me diga que vai me deixar. Me diga que vai me esquecer e ser feliz, pois talvez eu resolva abrir mão da infelicidade. Mas se eu não conseguir, por favor, compreenda que é difícil de abrir mão das desgraças que essa vida me trouxe. É difícil de abrir mão daquilo que dói. Abro mão da felicidade que me chama, mas não abro mão dessa infelicidade que me abate e me faz sucumbir em pó. Sei que minha alma vai virar carcaça, mas também sei que sorrir é luxo que só se é dado aos decididos. Sorrir é luxo que só se é dado a quem consegue abrir mão das aflições e atender as ligações desesperadas da felicidade.

"Sorrir é luxo que eu ainda não sei me deixar ter".