Eu sou uma pétala esfacelada em algum canto. Eu sei que estou por aí, em qualquer lugar onde haja dor. Se você me encontrar, avise alguém que eu já estou meio cansada. Se você me encontrar, faça melhor, não chame ninguém e me deixe pensar em alguma coisa que conserve algo de bom no meu peito, ou que traga. Tanto faz.
É bem difícil me encontrar no meio dessa multidão. Na verdade, pétalas são coisas tão imperceptíveis quando não estão ligadas à uma flor, que eu nem lhe julgaria caso não notasse minha presença rotineira em sociedade. Na verdade, não lhe julgaria nem mesmo se me visse e não fizesse questão alguma de segurar-me em suas mãos e por entre seus dedos, acariciar-me... Em maioria, só crianças pequenas em média de 7 anos se encantam com uma pétala vagante, como eu.
Estou perdida por aí e, às vezes (quase sempre), o vento têm mania de me levar para qualquer lugar. Eu sigo o fluxo por não ter opção. Eu só tenho medo. Estou atirada em um chão sujo, esperando que alguém me tire daqui. Esperando que alguém me ame fora de estação. Fora de primavera ou de estampas pitorescas retratadas da mesma. Esperando alguém que me ame de algum jeito mais profundo.
Eu sou só mais uma pétala que se perdeu de seus ramos. Sou só mais uma pétala rebelde que desfez uma flor... Uma pétala "bem-me-quer-mal-me-quer", talvez.
Sou só mais uma, dentre uma multidão.
[...] Espero que você me encontre.

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