As cores chegaram ao fim e o céu enevoou-se. Eu tenho medo e sonho com dias melhores.
Acabou a primavera e com ela se foram os amores. Acabou a primavera e com ela se foram os sorrisos de flores. A redoma de cor que me protegia se findou e só me sobrou a dor. Dor que assombra o peito e assusta. Assusta o coração que bate acelerado, quase saindo pela boca. Pelo céu.
Se você já têm medo, imagine eu. Se você já sofre essa leitura pesada, imagine meus dedos que digitam. Imagine meus olhos que lacrimejam.
Dias sofridos têm sido esses meus. Dias doloridos têm sido os desse inverno que não passa nunca.
Eu sofro não pelo frio que ouriça os pelos da nuca, mas sim pelo frio que traz o desespero de perder. Estou em disputa entre o orgulho e a humilhação. Estou em embate e acredito que vou perder. Há olhos negros que me atormentam. Olhos negros cintilantes que pairam sobre minha mente e não me deixam descansar. Eu amo esses olhos negros. Eu amo tanto que nem sei. Eu nem sei que amo tanto. Esse fim de estação me machucou. O último trem passou e eu fingi não ver para não sofrer mais. A ultima gota caiu e eu não sequei, só para ter na memória como dói amar. Pra eu lembrar qualquer dia desses, em qualquer avenida dessas, que amar é dor que não se priva. Amar é dor que não se escolhe, mas que perdoa. Que aceita e dá a mão para levantar. Amor são esses olhos negros...
íris feito o véu que assola a noite... Íris do meu amor de primavera.
Peço que me desculpe por ladrilhar sua leitura com minhas dores de menina, mas é isso que sou. É isso que pretendo ser pelo resto da vida. Menina... Só menina. Talvez virada do avesso; mas menina.
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