Eu cansei de chorar. Cansei de me deixar cair no paralelepípedo da dor. Cansei de ser bêbado equilibrista e carregar dois corações.
Talvez seja errado virar palha no fogo, mas eu também sou chuva que apaga. Chuva que evapora. Água. Água que mata... a sede.
Você vem dizer que sabe o melhor para mim. Você vem dizer que sabe discernir o certo do errado, mas abre a porta. Você abre a maldita porta que deixa a lascívia entrar. O fogo. A dor que me assusta e que não quero mais sentir. O pior de tudo é que eu sei que o amor está na varanda. Ele está prestes a se atirar do penhasco que rege seu coração. O nosso coração. E eu sei que você não será forte o bastante para recomeçar esta jornada. Eu sei que preciso me juntar à ele. Ao coração. Eu sei que preciso ser forte e suportar até o fim, mas não sei se consigo lhe alcançar.
Orgulho é seu sobrenome.
Eu tento puxar sua mão, mas você se torna relutante e não me deixa levar-te para a varanda que nos liberta. Varanda tão próxima que nos chama... que nos ama.
Há algo nos seus olhos. O fogo está lhe contaminando. Preciso fugir. Preciso criar coragem para lhe salvar. Nos salvar.
Você pode sentir meu coração? Você pode sentir meus átrios impulsionando sangue a cada segundo?
Estou sem esperança, me ajude. Salve minha alma dolorida de tanto se perder em si mesma. Porventura há algum jeito para mim?
Olhos semicerrados. Olhos que fecham cara vez mais, tirando-me a esperança de amar outra vez. Cada vez que lembro dos nossos corações, eu sei que tentei de tudo. Eu sei que corri para os braços de uma varanda na penumbra. Aquela varanda que nos chamava daquela vez. Eu sei que te perdi na dor, mas como já disse, eu cansei...
Cansei te carregar da perdição para a penumbra que vem pelo amor...
Cansei... Só cansei.
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