Estive pensando bastante durante esses dias em como as pessoas são felizes. Até eu me surpreendo com a minha felicidade descarada. Um bem-estar fora do comum. Estive pensando que nunca pude presenciar de tanto bem-estar em toda a minha vida, pois todos os dias me deparo com aquela simples resposta que sai de minha boca sem que nem eu mesma pense: “Estou bem.” – eu nem paro para analisar se estou mesmo. Será que isso é sinal de que meu nível de felicidade está tão alto que minha fala responde por mim sem eu nem mesmo precisar focar o meu contexto e conjugar o tempo? Será que eu estou tão bem ao ponto de ter uma fala automática?
Estar bem, hoje em dia, é desculpa para não prolongar assunto. É desculpa para evitar perguntas que a gente não quer responder para não se desiludir daquele sonho encantado que criamos na nossa cabeça, saindo assim da redoma de vidro que usamos para nos proteger da realidade que é ser infeliz. Se você se encontra com alguém na rua, cumprimentará perguntando se está tudo bem. O que você espera que ela diga? “Estou bem.”
Somos mentirosos de cara lavada. Plantamos um sorriso no rosto quando as lágrimas querem cair. Plantamos lágrimas na face quando o sorriso quer contagiar. Estar triste hoje em dia é crime. Estar num dia ruim é inaceitável pela sociedade, portanto, nos obrigamos a estar bem. Precisamos estar bem. É o novo dever de um bom cidadão.
Nós complicamos a vida e achamos que assim é que fica mais fácil. Deixamos os problemas para resolver mais tarde, pensando que assim estaremos nos livrando daquilo para sempre. Achamos que o problema vai cansar de esperar e vai desistir da gente. Dizemos que estamos felizes quando na realidade o que mais queremos é estar felizes de verdade... Só que pra ficar feliz de verdade, é necessário resolver as pendências que deixamos de lado, esperando que elas se resolvam por si só. É necessário parar de mentir e aceitar a tristeza que muitas vezes invade o peito. Afinal, qual é o problema de ficar triste? Qual é o problema de não estar com “tudo em cima”? Não banalize aquilo que deve ser tão sincero quanto nossos olhos ao chorarem pela perda inesperada. Não banalize a felicidade, pois quando você estiver bem de verdade, verá como é bom dizer essas palavras com sinceridade no olhar e com a certeza de que estar triste também faz parte da vida, mas que o bem-estar é a recompensa pela tristeza assumida e da dor bem vivida.
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