quinta-feira, 5 de maio de 2016

Cavalheiro Maquiavélico

 Não há calmaria que me faça remanescer sob tua indiferença. Entendes tu a profundeza que és? Sabes tu o quão altiva é tua nascente?
 Se meus lábios fossem mel, gladiariam-se contra os teus e contra si próprios.
 Se meus pés fossem valsa, dançariam até chegarem a exaustão completa dentro de teus adornos nada mélicos.
Tu tocas em meu mais profundo sentimento e faz-me ter medo da felicidade que é ter alguém para chamar de seu.
 Faz-me tua, doce cavalheiro maquiavélico.
O céu estrelado não me convém, e nem a ti, mas esqueçamo-nos deste detalhe cândido.
 No agridoce que compõe as notas de um clássico, Dvorak faz papel relevante.
 Nas cores negras que compõe nosso conjunto, nos deixamos levar pelos passos e, inebriados por tão sensitiva harmonia somos levados ao ápice.
 Pálpebras fechadas. O mundo é nosso e a maior verdade do ser pode ser retaliada na impudicícia da alma, que se escancara em nosso incólume desdém.
 Entre piano e violino nossos braços se compreendem.
 Entre impurezas e solidão, nossas almas sensibilizam-se.
 Entre nós, o céu se torna mais lúgubre.