sexta-feira, 30 de maio de 2014

Fim de Primavera

As cores chegaram ao fim e o céu enevoou-se. Eu tenho medo e sonho com dias melhores.
 Acabou a primavera e com ela se foram os amores. Acabou a primavera e com ela se foram os sorrisos de flores. A redoma de cor que me protegia se findou e só me sobrou a dor. Dor que assombra o peito e assusta. Assusta o coração que bate acelerado, quase saindo pela boca. Pelo céu.
 Se você já têm medo, imagine eu. Se você já sofre essa leitura pesada, imagine meus dedos que digitam. Imagine meus olhos que lacrimejam.
 Dias sofridos têm sido esses meus. Dias doloridos têm sido os desse inverno que não passa nunca.
 Eu sofro não pelo frio que ouriça os pelos da nuca, mas sim pelo frio que traz o desespero de perder. Estou em disputa entre o orgulho e a humilhação. Estou em embate e acredito que vou perder. Há olhos negros que me atormentam. Olhos negros cintilantes que pairam sobre minha mente e não me deixam descansar. Eu amo esses olhos negros. Eu amo tanto que nem sei. Eu nem sei que amo tanto. Esse fim de estação me machucou. O último trem passou e eu fingi não ver para não sofrer mais. A ultima gota caiu e eu não sequei, só para ter na memória como dói amar. Pra eu lembrar qualquer dia desses, em qualquer avenida dessas, que amar é dor que não se priva. Amar é dor que não se escolhe, mas que perdoa. Que aceita e dá a mão para levantar. Amor são esses olhos negros...
 íris feito o véu que assola a noite... Íris do meu amor de primavera.
  Peço que me desculpe por ladrilhar sua leitura com minhas dores de menina, mas é isso que sou. É isso que pretendo ser pelo resto da vida. Menina... Só menina. Talvez virada do avesso; mas menina.

 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Calças Prediletas.

 Eu tenho uma calça preferida e não me envergonho. Eu tenho meus dias prediletos e não abro mão deles.
 Minha calça preferida já fora enviada para o conserto mais de três vezes, e com certeza enviarei quantas vezes puder. Eu amo minhas coisas velhas. Confortáveis. Eu amo as coisas que já conheço e não gosto muito de mudanças bruscas.
 A minha roupa preferida é a que eu uso sempre, portanto, tenho várias da mesma. Você acreditando ou não, eu tenho várias iguais em modelo cor e tamanho. Não sou de mudar, como já disse.
  Eu estou acostumada comigo desta forma, e quem são as pessoas para falar algo a meu respeito? Quem são elas para palpitar no que eu devo ou não usar? No que eu devo sentir, falar, fazer, viver?
 Não adianta vir me dizer que estou na pior, pois se eu estiver eu nem ligo. Se eu estiver, eu vou é curtir bem e botar o pé na jaca de vez. Se eu estiver, eu sei que faz parte, essa é a arte da vida... Cair e se recompor.
 Eu gosto de estudar, mas nem por isso passo em todas as provas. Eu gosto de ler, mas nem por isso preciso ter e saber de tudo de forma milimétrica.
 Eu sou banal. Eu sou modinha. Sou poser. Sou o que quiserem que seja, mesmo que eu não seja. Eu sou aquilo que eu visto, aquilo que eu como, faço e discirno. Aquilo que me faz entreter, aquilo que me faz... Ser.
 Eu. Minhas calças prediletas.
Acho que é só.